Cineclube Curta Cinema 2018

28 de Março de 2018


Cineclube Curta Cinema retorna em 2018

Com a parceria do Cinemaison, o Cineclube Curta Cinema retoma suas atividades em 2018. Serão programas mensais, orientados por temas específicos, propostos por curadores e realizadores convidados. A exibição dos filmes em curta metragem é sempre acompanhada por um debate aberto ao público, no qual os temas apresentados são pensados a partir da reflexão crítica e do diálogo.

Iniciado em 2015, por ocasião das comemorações dos 25 anos do Festival Curta Cinema, o cineclube retorna com a sua proposta original de promover, ao longo do ano, um contato mais amplo e permanente entre o público e a produção nacional em curta metragem. Sempre com uma curadoria nova, independente da programação regular do festival, o Cineclube Curta Cinema abraça novas temáticas a partir do olhar e das abordagens sugeridas pelos seus curadores convidados.

A primeira edição de 2018 irá ocorrer no dia 3 de abril, no Cinemaison, às 19h. Entrada Franca.

Para esta sessão convidamos o realizador Daniel Nolasco, que propôs o programa “Rachaduras no corpo da cidade”. Daniel é cineasta, natural da cidade de Catalão- Goiás. Diretor de diversos curtas, com grande repercussão em festivais no Brasil e no exterior, seu recente longa metragem “Paulistas” chegou aos cinemas através da Sessão Vitrine Petrobras. Foi também curador na mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul. No texto abaixo Daniel Nolasco nos dá uma breve descrição do conteúdo pensado para o programa.

Rachaduras no Corpo da Cidade

Os curtas escolhidos para a sessão propõem uma reflexão sobre corpos, por vezes marginalizados, e como eles se relacionam com os espaços físicos da cidade, tendo como eixo central a relação das/dos protagonistas com o lugar onde moram. Em “Le Retour”, dirigido por Yohann Kouam, tão importante quanto os personagens são os espaços em que eles transitam no subúrbio de Paris. Todo o conflito do protagonista é construído através da sua relação com espaço físico que habita. De Paris vamos para o bairro de “Real Conquista” na periferia de Goiânia. No documentário homônimo de Fabiana Assis, encontramos com Eronilde que narra de forma frontal e emocionante sua luta e de outros moradores por um pedaço de chão para morar. Em um terreno agora vazio ela relembra o que antes foi um bairro que abrigou várias família. “Algo do que fica”, de Benedito Ferreira, se debruça sobre outra região da capital de Goiás - o centro - e revela como o acidente do césio 137 ainda se faz presente na vida dos moradores e da própria cidade. Um filme todo construído por sutilezas. Fechando a sessão nos encontramos com Rosa e as moradoras da Favela da Prainha no litoral paulistas em “Estamos Todos Aqui”, dirigido por Chico Santos e Rafael Mellim. Com um ritmo pulsante e borrando os limites entre o documentário, ficção e encenação, o filme se ancora na vibrante atuação de Rosa para construir uma reflexão sobre algumas questões sociais urgentes - entre elas, como o Estado trata os corpos que se recusam a ser enquadrados em padrões pré-estabelecidos. 

PROGRAMAÇÃO

 

LE RETOUR, de Yohann Kouam, 20 min., França, 2014.

Faz um ano desde que seu irmão mais velho foi embora, e é com impaciência que Willy, 15 anos, espera seu retorno ao bairro. Ele acha que sabe tudo sobre Theo, mas ele acaba descobrindo um segredo sobre ele...

REAL CONQUISTA, de Fabiana Assis, GO, 14 min, 2017.

Em Goiânia, no bairro Real Conquista, uma mulher, marcada por um forte passado de violência, luta por melhores condições de vida.

ALGO DO QUE FICA, de Benedito Ferreira, GO, 23 min, 2017

Avó e neta vivem no centro de Goiânia, ao lado do lote onde aconteceu o acidente do Césio 137. Mas elas estão de mudança, pois em breve a casa será demolida para a construção de um museu. Enquanto isso, uma estranha presença orbita pela casa.

ESTAMOS TODOS AQUI, de Chico Santos e Rafael Mellim, SP, 20min, 2017

Rosa nunca foi Lucas. Expulsa de casa, ela precisa construir seu próprio barraco. O tempo urge enquanto um projeto de expansão do maior porto da América Latina avança, não só sobre Rosa, mas sobre todos os moradores da Favela da Prainha.

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REALIZAÇÃO